Quando se vive essa fase meio amarga de separação, a gente começa a viver (ou reviver) algumas músicas. São tantas cuja tônica é esse tema! Já ouvi com um certo gosto de infortúnio as músicas: "Vento no litoral" da Legião Urbana. "Queixa" do Caetano Veloso. "Detalhes" do Roberto Carlos. Agora, uma que não quer largar de mim, qual uma ventosa grudada no vidro, é "Trocando em Miúdos" do Chico Buarque e do Francis Hime (acho que de 1978). Eu conheço inúmeras músicas desses caras mas essa está martelando um tempinho em mim.
Quando a gente sai de um relacionamento em que havia comunhão de sentimentos e de bens materiais, a vontade é largar para trás tudo. Tudo mesmo que faça-nos lembrar da(o) ex. Mas há coisas que não tem jeito! Como tirar de dentro da gente mesmo o (a) ex? É possível sim deixar tudo para trás e ficar com algo que vai nos fazer se reafirmar para os amigos, família e até mesmo para o ex-cônjuge. No caso do Chico, foi o "(...) disco do Pixinguinha, sim! O resto é seu".
Sonhos rompidos e auto-afirmações a parte, quando a gente se separa não devemos nos sentir culpados. A culpa não deve ter lugar cativo em ninguém. O que há são responsabilidades e uma grande oportunidade de auto-avaliação sobre o que deu errado. E também, claro, buscar um acordo com a outra parte para realizar uma divisão de bens justa.
É romantico e até elogiável um cara que sai da casa que ele comprou com a namorada ou esposa levando apenas a roupa do corpo, o disco do Pixinguinha e a sua cédula de identidade. Porém é bom não ouvidar de que a vida é dura! De que a história não acaba aí. Depois desse dia virão outros dias. Você que sai assim vai morar aonde? Vai vestir o quê? Se alimentar de quê? Como você vai se apresentar ao trabalho? E os compromissos assumidos anteriormente?
Se tem a casa da mãe para se abrigar, principalmente se a mãe é aquela que deixou o quarto do filho que casou-se arrumado mas do mesmo jeito que ele deixou, isso não é ruim. Mas e se não tem?
Faça acordo com o ex-cônjuge. Faça uma partilha justa e procure que seja consensual. Pois recorrer ao Poder Judiciário só demorará e deixará a separação mais demorada, complicada, aflitiva, sofrida e bem mais cara.
Converse com seu (sua) ex e coloquem num papel como será a partilha. Assinem cerrando o acordo e executem a vontade de ambos. Se for o caso, procure até um cartório e registre esse instrumento particular feito pelos dois. A fase é difícil mas não ignore isso de precisar dos bens ou hoje, ou amanhã ou ano que vem... Por que a vida não acabou. Haverá uma sucessão de dias em sua vida. Acredite!
Ouça as músicas do momento do adeus. Chore. Converse com um(a) amigo(a) de verdade. Escancare o peito...
Mas lembre-se: XÔ CULPA! Pra bem longe daqui!
3 comentários:
REsolver uma separação na guerra é realmente muito mais caro. Este foi o argumento ideal que encontrei para manter a civilidade. :)
Preta, eu sou muito atento ao que vc. diz e - principalmente - ao que vc. escreve.
nossa... mas a situação ficou tão feia assim ou surgiu uma brechinha para o diálogo e uma bandeirinha da paz?
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