quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Crônica 2 ou O Dia Em Que Descobri Que Não Existe Almoço Grátis

Certa feita, quando eu vivia em Goiânia, capital do Estado de Goiás, isso no ano de 1991, eu me encontrava desempregado, sem renda nenhuma. Eram épocas “Colloridas”. O Presidente da República era o Fernando Collor e estávamos mergulhados em uma crise econômica violenta por causa de um plano econômico traumático que incluiu o confisco de poupanças, resultando em uma grave recessão, aumento do desemprego e alta instabilidade econômica. Para não ficar em casa, pensando besteira, aguentando perturbação do meu pai, eu ia para o centro de Goiânia e tentava procurar emprego, em meio ao caos que cobria o Brasil por causa de políticos irresponsáveis. Numa dessas andanças, me deparei com um cara fantasiado de macaco, fazendo mímicas típicas de um gorila e segurando uma placa que dizia o seguinte: “KING KONG – ESCOLA DE CABELEIREIROS” (em letras de caixa alta mesmo) “Precisamos de voluntários para nossos alunos” (em letras menorzinhas). Eu estava com os cabelos precisando de um corte. Não ia em barbeiro porque não tinha dinheiro para isso. Fui me informar melhor com o caricato garoto-propaganda, ou seria o “símio-propaganda”, vai saber... Com certa dificuldade fiz o rapaz parar de pular e perguntei sobre a parte do “voluntários” da placa. Aí ele me explicou, em meio às arfadas, que era para servir de cobaia para os alunos e complementou meio gago: “Se se tu é doido, tu tu vai lá!”. Daí se afastou de mim e voltou a pular e a gritar para chamar a atenção do público. Passei a mãe a mão nos meus cabelos e com eles pensei: “vou lá, preciso cortar meus cabelos para melhor me apresentar como candidato a vagas de emprego”. Fiquei doido e fui lá. Quando cheguei na Rua 74 do centrinho de Goiânia, logo vi a placa “Escola King Kong - curso de cabeleireiro profissional”. Subi um lance longo de escadas e sai em uma sala com um balcão onde tinha uma recepcionista. Daí eu informei minha intenção de servir como cobaia, quer dizer, voluntário para o curso. A mulher, meio com descaso, sem olhar para o meu rosto, disse para eu voltar depois das 19h que o professor estaria lá. Com certa dificuldade de comunicar-me com ela, consegui saber que ele estaria na escola segunda, quarta e sexta a partir das 19h. Dois dias depois, numa quarta-feira quente, lá fui eu para a Escola King Kong para cortar meus cabelos de graça. Fui encaminhado para uma sala onde um professor chamado Rógi me atendeu. Era um rapaz com os cabelos perfeitamente cortados e penteado. Com uma das mãos, muito delicadamente, ele me cumprimentou e com a outra começou a mexer nos meus cabelos no sentido de soltá-los ou sentir a textura e os fios. Falou assim: “Garoto, senta ali que eu vou te chamar”. E saiu pisando forte no piso de madeira. Não demorou muito e lá estava eu, sentado em uma cadeira de salão de beleza, rodeado de alunos e pelo Professor Rógi. O Professor iniciou a aula me tendo como cobaia. “Gente, o que é Geometria? Vocês sabem o que é Geometria?” Perguntou ele para os discentes. Eu pensei nela sendo um ramo da Matemática. Aí ele mesmo respondeu, ante o silêncio. “Gente, Geometria é as linhas e as colunas que tem na cabeça das pessoas. É tudo invisível, gente!” Ai, na sequência, ele fez outra pergunta na sequência: “Agora, gente, o que é Química? Me responde.” Não demorou muito e ele mais uma vez respondeu. “Gente, Química são os produtos que a gente usa no cabelo dos outros. Tinta, creme, relaxamento, né?!” Eu pensei comigo mesmo: “Meu Deus, onde fui me meter!” Assim, ele levou a turma para outra cobaia e logo depois volto com uma aluna que tinha uma tesoura e um pente nas suas mãos. Aí ele disse a ela. Você primeiro tem que cumprimentar o cliente e perguntar qual tipo de corte ele vai querer: Tirar as pontas? Cortar curtinho? É assim que faz.” aí a mulher negra que estava na minha frente, trajando um avental, me cumprimentou e fez essas perguntas. Eu pedi para tirar as pontas. E, dessa forma, ela começou a cortar, só que nada de tirar as pontas. Ela quase me deixou careca. Mas um careca de forma irregular. Havia mais cabelo de um lado do que de outro. Apesar de eu ter feito essa observação para ela, nada foi feito. Fui tentar falar com o Professor Rógi, mas ele me evitou tanto que eu desisti. Fui embora para casa sob o olhar popular e curioso nas ruas e nos ônibus que usei para chegar em casa. Uma vez em casa fui para o banheiro e peguei o aparelho de barbear de meu pai e liquidei essa fatura mal paga. Nesse dia, aprendi uma lição que eu não tinha assimilado direito, mas que me acompanha por toda minha vida: “Não existe almoço grátis”.

Crônica ou Quando Eu Vim Morar Na Capital do Brasil

Quando vim morar em Brasília, capital do Brasil, no ano de 1993, apesar da pouca distância da minha cidade natal, Goiânia/GO, eu senti um baque cultural muito grande. Não sei dizer mas as pessoas do centro de Brasília eram muito diferentes e não tinham aquela humildade aparente da qual fui acostumado quando cresci e me entendi por gente em Goiânia. Lembro-me que nos ônibus que riscavam a cidade de norte a sul, da W3 à L2, havia adesivos do tamanho de uma cartolina (daquelas compradas em papelaria) com poesias. E tinha uma poesia que resumia bem isso que tento colocar aqui neste texto. Dizia assim o poema que li: “Brasília: clima seco, falta humildade no ar”. Infelizmente não me lembro do autor. Sim, Brasília não era apenas uma localização geográfica seca apenas na atmosfera da cidade mas, seca por causa das poucas e parcas relações sociais. Naquele iniciozinho da década de 1990, nessa mesma atmosfera brasiliense, havia no imaginário popular em expansão dessa cidade acreditar e divulgar que “todo goiano é burro”. E essa crença era originária por causa do trânsito. Ora, sabemos que a elite brasiliense era formada, majoritariamente, por cariocas que vieram quase à força povoar essa remota cidade do meio da Região Centro-Oeste. Trocaram a areia das belas praias por terra vermelha que nos tempos secos é poeira vermelha e nos tempos chuvosos, barro. Imagina o grau de satisfação desses cariocas retirantes forçados? Pois então, os goianos motoristas que frequentavam o trânsito de Brasília eram aqueles do chamado entorno, que naqueles anos era um lugar sem lei. Entorno é um cinturão de cidades do Estado de Goiás que ficam próximas à divisa com o Distrito Federal. Dessa forma, esses motoristas que não raro dirigiam seus carros e pilotavam suas motocicletas sem ter Carteira de Habilitação, promoviam coisas assombrosas no – até então – organizado trânsito brasiliense. Naqueles anos dava pra ver na placa dos carros o nome do município de onde eles eram originários. E dava pra saber também que eram veículos goianos por causa das letras que pertenciam a essas placas. Assim, o revide após uma “barbeiragem automobilística” era por a cabeça para fora da janela do carro e gritar: “Ô goiano burro! Aprende a dirigir!”. E ainda tinha o caso de que nessa região do entorno era fácil comprar uma Carteira de Habilitação para Dirigir. Fácil era, só não era barato. Assim, todas as vezes que você informava que era goiano, ou conversava com as pessoas expondo o sotaque característico por causa do “R”, quando havia motivo, os “cariocas brasilienses” soltavam essa exclamação: “Goiano burro!” Essa discriminação por origem afetava a busca por emprego. Havia empresas e outras organizações que não contratavam goianos. A desculpa era que a passagem de ônibus para o entorno era cara. Mas a verdade era bem outra, o que havia era uma certa reserva de mercado para os brasilienses. Mas o forte mesmo em questão de empregabilidade eram os concursos públicos. Lembro-me que ouvi muito a ofensa pelo fato de eu ser goiano. Foi assim que aprendi a identificar minha origem dizendo que sou goianiense – que é aquele nascido na cidade de Goiânia – uma vez que tecnicamente todo brasileiro nasce em um município, em uma cidade antes de nascer em um Estado. Fato é que o “goiano burro” estudou, fez cursos preparatórios, e foi aprovado em concurso público de nível médio. Depois estudou, fez curso preparatório para vestibular e foi aprovado no temido processo seletivo da Universidade de Brasília (UnB) o único no mundo em que uma questão errada anula uma questão certa. Assim, este “goiano burro” ao encontrar outros “goianos burros” nos órgãos públicos de Brasília, na condição de servidores efetivos e também encontrar nos vastos corredores dos prédios da UnB mais “goianos burros”, chegou à conclusão que os chamados “goianos burros” vinham para Brasília para ocupar as vagas que os “brasilienses inteligentes” não conseguiam por que – a maioria – não conseguia ser aprovada nos concursos e vestibulares da capital. Hoje, ano de 2025, quero acreditar que isso tenha mudado com essa nova geração. Que não exista mais a denominação preconceituosa de ser destituído de inteligência só porque é originário de um certo lugar. Quero acreditar. FIM

segunda-feira, 27 de maio de 2019

FOGO!!

VOU TACAR FOGO NESSE BLOG!!! Ninguém vem visitar mesmo... Sim, é verdade. Hoje estou triste e carente. Como eu odeio ser de capricórnio...

domingo, 14 de dezembro de 2014

Retomando os trabalho no fim do ano

Olá! Depois um longo período afastado deste blog, volto a fazer postagens nele. Muitas coisas aconteceram e que me deixou triste. Esses acontecimentos são relativos à minha conta no Facebook e, por isso apenas, eu encerrei. Não tenho mais Facebook, como dizem por aí. Também cancelei minha conta na rede social Tumblr e também no Google+. Fiquei apenas com o Twitter, Instagram e os meus dois blogs: Bloger e o Wordpress. Não sei se o Whatsapp é considerado uma midia social mas fiquei com ele também. Vou postar mais coisas neste blog, embora não sei se alguém vá ler ou se interessar nisto. Abraço!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Trabalhar para quê?

Desde os meu treze anos de idade eu tenho relações de emprego. Trabalho fazem quase trinta anos. Uma questão sobre isso que vem me causando inquietação é a pergunta que me vem à cabeça: para quê eu trabalhei tanto na minha vida? Quao o objetivo disso? Será que ter iniciado minha carreira me tornou uma pessoa melhor? Eu nunca entendi o objetivo de eu, ainda criança, ter que sair de casa todos os dias cedo - antes das sete horas da manhã - e levando minha marmita para a hora do almoço. Pegava ônibus lotadíssimo e, após 30 ou 40 minutos de peleja, chegava ao meu local de trabalho. Tinha uma hora de almoço e às 17h terminava meu expediente. Assim eu ia embora para casa, preparar-me para a segunda jornada do dia: a escola à noite. Dias de sol, dias de chuva. Dias quentes ou dias frios eram sempre essa minha rotina. Eu trabalhava por que tinha de trabalhar. Sem objetivo algum. Ganhava metade do salário mínimo de um trabalhador adulto, porque eu era menor de idade. Eu trabalhava por que meu pai mandou que eu fosse trabalhar e eu fui. Não tinha como argumentar. Achava que eu trabalhava por uma punição imposta a mim por ele. Por que eu tinha reprovado na 6ª série do primeiro grau (hoje denominado nível básico, salvo engano). Nessa época, eu trabalhava como contínuo no Banco Itaú (Ag. Quintino Bocaiuva no bairro Campinas, em Goiânia/GO). Trabalhei lá durante cinco meses. Não era efetivo, eu trabalhava lá por meio de um projeto social parecido com o "Menor Aprendiz", de hoje. O nome da instituição era CAMPI - Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro. Depois do Itaú eu tive outros empregos ainda por meio do CAMPI. Sobre a minha dúvida, apresentada acima, eu tive como lenitivo (e não como resposta) uma revelação dos céus de que eu trabalhei esse tempo todo, quando menor, para me manter ocupado. Para me manter afastado de algumas vicissitudes. Tudo bem que eu fazendo serviços de rua em uma cidade grande, estaria sob risco de me envolver com drogas, prostituição, roubo e violências de outros gêneros. Mas, honestamente falando, eu gostaria de ter tido tempo livre para estudar. Ter aprendido com qualidade as lições do 1º e 2º graus. Ter me preparado com qualidade para enfrentar o primeiro vestibular de minha vida. Que foi o da UFG, na qual eu pretendia estudar Jornalismo com habilitação para Rádio e TV. Vestibular esse que passei apenas na primeira fase. Mais tarde me mudei para Brasília e fui aprovado no vestibular da UnB. Hoje sou formado em Arquivologia, tenho pós-graduação e trabalho na minha área de formação. Poderia ter sido mais fácil essa minha trajetória. Mas teve de ser assim e hoje estou aqui. O que vai vir amanhã é o que virá. Edvan Moura 23/10/2013.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Casamento é cama, mesa e banho

Ontem conversávamos eu e a Elida sobre casamento. Eu disse que, na minha opinião, casamento satisfatório deve ser bom na cama, na mesa e no banho. Casamento bom na cama dispensaria acréscimos de comentários. Pois o que salta na mente é o sexo bom e gostoso. Mas cama é um móvel que utilizamos para momentos íntimos e para descanço, repouso. A intimidade que se é revelada na cama deve ser respeitada, entendida e mantida segura. O que se faz e o que se fala na cama do quarto do casal fica lá. E pode ser relembrado quando o momento for oportuno nessa cama. Casamento na mesa. Mais uma vez o que vem à mente é comida. Mesa farta para se fazer refeições. Porém, mesa também tem vários usos em uma casa. Mesa, além das refeições, ela também é usada para reuniões de família e celebrações. Para planejamento, cálculos e - por que não!? - para diversão. Mesa no sentido de refeições, para mim, diz que num casamento pelo menos um deve saber cozinhar, fazer uma refeição que marca aquela vida a dois. É muito triste uma família na qual ninguém cozinha. Não necessarimente a mulher, haja vista a quantidade de homens que labutam no lar para sua manutenção. Assim, mesa quer dizer também provimento. Logo, casamento tem suas responsabilidades. Pelo menos um, senão os dois, devem prover a casa. Por fim, casamento no banho. Imagino que alguém pesou: "sexo de novo!". O banho para nós quer dizer, além de higiene pessoal, saúde, cuidados e - adiante - amor por si próprio. O que pensar de uma pessoa que não toma banho? Que não se importa com sua higiene pessoal? Será que essa pessoa poderá conviver com outra e amar? Acho difícil pois quando não se tem amor próprio... Cama, mesa e banho são aspectos internos de um relacionamento afetivo que - sem os quais - não há sociabilização com o mundo exterior. Mesmo quando vivemos só é importante termos a harmonia entre "dormir, comer e se cuidar".

domingo, 11 de novembro de 2012

Falando sobre a resiliência

Eu criei um blog dedicado a discutir a resiliência mas tenho falado pouco sobre ela em si. Escrevi muito sobre resiliência usando os exemplos de outras pessoas que sofreram um baque emocional e – após algum tempo, todos têm seu tempo, - voltaram a ser pessoas como eram antes, em relação aos seus sentimentos e emoções. Mas vamos lá falar um pouco de resiliência: o conceito resiliência nasceu do estudo do cientista inglês Dr. Thomas Young, 1807, sobre a relação entre a tensão e a deformação de barras metálicas. Assim, resiliência pode ser considerada como o grau que afere a propriedade que alguns metais apresentam em não se deformarem, ou apresentarem baixo nível de deformação ou ainda de voltarem ao estado inicial, sem deformação alguma, após sofrerem uma tensão. O conceito da resiliência também foi adaptado para a ecologia ao descrever certos biomas que se recuperam após sofrerem uma ação degradante, seja natural ou provocada pelo homem. Um exemplo clássico é o cerrado que se regenera na época das chuvas após um longo período de seca ou submetido a queimadas. Assim, ele apresenta sua vegetação rasteira e algumas árvore com aparência aniquilada mas se regenera quase milagrosamente após as primeiras chuvas. Mas a resiliência a qual nos referimos neste blog é o conceito psicológico, emprestado da física e da ecologia. Como foi dito no primeiro parágrafo deste texto, a resiliência é definida como a capacidade de indivíduos superar os obstáculos e, após sofrer uma tensão grande ou um elevado nível stresse esse indivíduo se recupera sem adquirir uma doença emocional grave ou surto pscológico. Há inúmeros casos de pessoas com um grau expressivo de resiliência e que, em nossa opinião, chega a ser um exemplo a ser mostrado para o mundo. O indivíduo resiliente é classificado por nós como o super-herói dos dias de hoje. Um herói de carne e osso que não necessita usar fantasias ou identidade secreta mas o seu superpoder é a própria resiliência. Não sabemos se a resiliência é algo que pode ser fortalecida ou desenvolvida. Talvez as pessoas nasçam com diferentes graus de resiliência. Assim como os metais, estudados pelo Dr. Young, que apresentam ou não significativos graus de deformidade, há pessoas que apresentam graus diferentes de “deformidade psicológica” após um baque emocional. Dessarte, acredito que a resiliência não seja quantificada ou medida mas é uma qualidade de cada um de nós que é expressada de acordo com os seguimentos dos caminhos que a vida nos oferece ou pelos quais somos empurrados. Interessante sobre a reisiliência, é mais fácil falar sobre ela demonstrando exemplos de outras pessoas pois são esses exemplos de vida que realmente ajudam alguém que esteja sofrendo com seus sentimentos e frustrações atualmente. Por isso que neste blog nos preocupamos mais em trazer tais exemplos do que ficar emitindo grandes tecidos de letras para explicar a resiliência. Daí esse blog se chamar RESILIENTE ANDANTE por que a resiliência não é algo estática e estanque ela está sempre em movimento, tal como a vida. Se você leu e chegou até aqui, eu o convido para trazer uma experiência resiliente sua ou de alguém que você saiba ter passado por um processo resiliente. O espaço está aberto. Entre!